19/05/2026

Roubo de cargas e crise do transporte coletivo marcam debate sobre mobilidade e segurança no estado

O painel virtual “Mobilidade e Segurança”, promovido pela Câmara Setorial de Infraestrutura e Logística nesta terça (19/05) propôs uma reflexão sobre a transversalidade entre mobilidade urbana, segurança pública e desenvolvimento econômico no Estado do Rio de Janeiro. O encontro contou com a participação da diretora-presidente do Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro (ISP) e da diretora de Mobilidade Urbana da SEMOVE, Richele Cabral que debateram os impactos diretos que a insegurança vem causando na dinâmica urbana.

Bárbara apresentou um panorama dos indicadores criminais no estado, com destaque para os roubos de carga e de veículos, considerados crimes que refletem diretamente na economia e na rotina da população fluminense. Segundo ela, embora o estado tenha registrado avanços históricos na redução desses índices, os crimes ainda exigem monitoramento constante e ações integradas.

“Quando os roubos de carga estão muito altos, tem empresa que não quer mais entregar aqui ou que cobram taxas mais altas de seguro, fretes mais altos, isso impacta diretamente a população, assim como o roubo de veículos. É por isso que eles são os nossos indicadores estratégicos, que a gente monitora muito de perto, sabendo de toda a repercussão que esses crimes causam para sociedade como um todo, para as empresas, economia, comércio e para a sociedade em geral”, frisou Bárbara.

Segundo ela, o monitoramento é feito diariamente pelo ISP, que toda manhã compartilha esses números com as autoridades policiais para que as delegacias de roubo de carga e roubo de veículos saibam os locais onde esses crimes estão ocorrendo e possam traçar estratégias e ações para a redução dos crimes.

“Historicamente, a gente está numa posição com poucos casos em relação ao que a gente já teve antes na história do Rio de Janeiro. Chegamos a ter 4 mil casos de roubo de veículo por mês em 2017 e agora a gente mal chega a 3 mil casos. Se a gente olhar para uma série histórica mais longa, nas últimas décadas, a gente está com números muito bons nesse sentido. Já o Roubo de carga começou a aumentar em 2016, 2017, foi quando inclusive o ISP fez um estudo bem específico sobre isso em parceria com a delegacia na época e de fato 2018 foi um ano bastante expressivo de redução, com várias operações integradas combate ao roubo de carga. Hoje a gente tem cerca de 300 casos por mês, enquanto em outras épocas a gente batia 500 ocorrências”, detalhou.

Na sequência, Richele Cabral apresentou dados sobre a crise do transporte público coletivo de ônibus e sua relação direta com a segurança e o comportamento dos passageiros. Ela destacou que o setor encolheu pela metade na última década, com queda de passageiros, redução de oferta e perda de qualidade. De acordo com ela, a insegurança pública é hoje um dos principais fatores para o abandono do transporte coletivo e a migração para carros particulares, aplicativos e motos.

“Isso reflete em menos oferta, menor qualidade, envelhecimento da frota, mas pensando no cidadão e na nossa sociedade, as pessoas estão utilizando outros meios para se deslocarem, normalmente veículos de passeio e aplicativos. Isso faz com que as nossas cidades e suas vias fiquem cada vez mais cheias e a gente sabe o quanto que isso não é sustentável”, pontuou.

A diretora da Semove defendeu a necessidade de políticas integradas para recuperar a confiança da população no sistema. Para ela, a retomada da demanda passa por um conjunto de medidas, como faixas exclusivas para ônibus, reorganização da rede, melhor informação ao passageiro, combate ao transporte clandestino e política tarifária que envolva também a sociedade no custeio do sistema. Ela afirmou ainda que o transporte público precisa ser tratado como serviço essencial, a exemplo da saúde e da educação.

Richele também apresentou o aplicativo “Vai de Ônibus”, relançado em 2025, que reúne informações sobre linhas municipais e intermunicipais, previsão de chegada, tempo de viagem, pontos de parada e alertas sobre o sistema. A ferramenta busca aumentar a previsibilidade e reduzir o tempo de espera nos pontos, fator que também impacta a sensação de segurança dos usuários.

Durante o debate, os membros da Câmara ressaltaram a importância da integração entre estado e municípios e apontaram a necessidade de políticas públicas de continuidade, especialmente diante da expansão das motos como alternativa de deslocamento e do enfraquecimento do transporte coletivo.

Ao final da reunião, o subdiretor-geral do Fórum, Frederico Lima, reforçou que o encontro servirá de base para novas discussões e possíveis encaminhamentos práticos na próxima reunião da Câmara Setorial, com foco em soluções para mobilidade urbana e segurança pública na Região Metropolitana do Rio.