26/05/2026

Especialista defende estratégia integrada para transformar Rio em polo nacional de data centers e inteligência artificial

A Câmara de Energia debateu nesta terça (26/05) o potencial do estado do Rio de Janeiro para a instalação de data centers. O encontro contou com a participação do pesquisador do Centro de Regulação e Infraestrutura da Fundação de Getúlio Vargas e professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ, Rafael Martins de Souza, que abordou os ganhos, limites e formas de ampliar o valor gerado para o estado do Rio de Janeiro com a instalação dos data centers.

Segundo Rafael, a corrida pela tecnologia tem demandado uma construção cada vez maior de centros de processamento de dados e a atração dessas estruturas de data centers pode gerar ganhos econômicos, tecnológicos e estratégicos para o Rio de Janeiro.

Durante a apresentação, o pesquisador destacou que o estado reúne vantagens competitivas importantes para se consolidar como um hub nacional de tecnologia e data centers. Entre os fatores apontados estão a proximidade com grandes centros consumidores de dados, como São Paulo, a alta conectividade internacional por cabos submarinos e a presença de universidades, centros de pesquisa e mão de obra altamente qualificada.

“O Rio de Janeiro possui infraestrutura estratégica, capital humano e capacidade energética que podem posicionar o estado como um polo relevante na economia digital”, afirmou.

Ele complementou ressaltando que o retorno maior acontece quando a infraestrutura física vem acompanhada de atividades com grande valor agregado como o desenvolvimento de softwares, inteligência artificial, pesquisa aplicada e serviços digitais.

“A discussão não deve se limitar a receber investimentos imobiliários ou estruturas de processamento de dados. O objetivo precisa ser criar um ecossistema tecnológico capaz de gerar inovação, propriedade intelectual, empregos qualificados e desenvolvimento econômico local”, frisou.

Outro ponto debatido foi a necessidade de formação de uma mão de obra técnica especializada para atender às demandas de operação, manutenção e desenvolvimento tecnológico ligados aos data centers. Para que isso aconteça, Rafael defendeu o fortalecimento de parcerias entre universidades, centros de pesquisa e setor produtivo para ampliar a capacitação profissional e estimular projetos de inovação.

Desafios e Sustentabilidade

Os participantes também discutiram os desafios relacionados à expansão desse tipo de infraestrutura, especialmente nas áreas de energia elétrica, recursos hídricos, impacto urbano e sustentabilidade.

De acordo com Rafael, embora já existam tecnologias que reduzem o consumo de água nos sistemas de refrigeração dos data centers, a questão hídrica ainda é um ponto de atenção, especialmente quando se trata da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, muito dependente do sistema Guandu e das águas transpostas do Rio Paraíba do Sul.

“A expansão dos data centers pode ser também uma oportunidade para discutir segurança hídrica, geração de energia renovável e aumento da resiliência da infraestrutura do estado”, pontuou.

A construção de um ambiente de negócios favorável à inovação tecnológica de forma a garantir a competitividade também esteve no centro do debate. Para que isso aconteça, Rafael citou a criação de políticas públicas mais horizontais, com melhoria de custos de energia e telecomunicações.

“Mais importante do que pensar apenas em subsídios específicos é melhorar o ambiente de negócios como um todo, criando condições para que startups, empresas de tecnologia e centros de inovação consigam se desenvolver”, ressaltou.

Ao final da reunião, os membros da Câmara de Energia discutiram a elaboração de uma minuta de projeto de lei com diretrizes para atração sustentável de infraestrutura digital no estado do Rio de Janeiro. Também foi proposta a construção de uma nota informativa para embasar os debates legislativos e orientar sobre os desafios e oportunidades para o setor.