30/04/2026

Câmara Setorial debate qualificação profissional e desafios no setor de tecnologia no Rio de Janeiro

A Câmara Setorial de Formação Profissional e Educação Tecnológica se reuniu, nesta quinta-feira (30/04), para discutir os desafios da qualificação profissional no estado do Rio de Janeiro. Durante o encontro, Paulo Millet (TiRIO) apresentou os estudos “Mercado de Trabalho de Tecnologia da Informação” e “Recursos Humanos no Rio de Janeiro”, que traçam um panorama do setor e aponta seus principais entraves. O trabalho evidencia a alta demanda por profissionais de tecnologia da informação, ao mesmo tempo em que revela um descompasso entre a oferta de mão de obra e as exigências do mercado.

O relatório também destaca as principais causas da evasão em cursos, tanto no ensino a distância quanto no presencial. Entre os fatores apontados estão dificuldades em disciplinas, expectativas desalinhadas, questões socioeconômicas, carga horária elevada, falta de apoio pedagógico, questões de gênero, baixa percepção de utilidade do curso, pouca interação com professores e escassas oportunidades de engajamento.

“A evasão é muito alta, é algo que precisamos enfrentar, porque ela representa a perda de recursos investidos na formação desses alunos”, afirmou o professor Heitor Mendes, do Cefet/RJ.

O debate abordou ainda os desafios enfrentados por estudantes beneficiados por políticas de cotas. Segundo Mendes, além de garantir o acesso, é necessário assegurar as condições de permanência.

“A política de cotas é fundamental, mas não basta garantir a vaga. Muitos estudantes chegam com defasagens na formação e enfrentam mais dificuldades. Por isso, políticas de permanência, como bolsas, são essenciais e precisam ser ampliadas”, destacou.

Também foi ressaltada a dificuldade das empresas em encontrar profissionais com formação adequada. Nesse contexto, a criação de políticas públicas voltadas à qualificação profissional e o incentivo à formação foram apontados como caminhos fundamentais para enfrentar o problema.

Entre as propostas Millet também sugeriu olhar não só para a evasão, mas para a recuperação de estudantes que abandonaram cursos, defendendo mecanismos semelhantes ao Encceja para o ensino superior, permitindo que quem já cursou parte da formação retome a trajetória a partir de pontos já acumulados.

“A gente fala muito na evasão e como evita-la, mas fala muito pouco em como recuperar. Se a gente pega o ensino superior, a estatística é de cerca de 1 milhão de evasões por ano. Se a gente pegar os últimos 10 anos, são 10 milhões de brasileiros que saíram do ensino superior e estão por aí. Precisamos de mecanismos para trazer esse cara de volta. É melhor recuperar um cara que já tem dois anos de estudo do que zero”, pontuou.

Millet também defendeu a criação ou fortalecimento de bolsas e programas de inserção prática, inclusive com estágio remunerado, como caminho para formar e reter talentos

Já Heitor Mendes reforçou a ideia de inserir estagiários nas empresas para que aprendam, agreguem valor e tragam conhecimentos novos às organizações, especialmente nas micro e pequenas empresas.

Foi citado ainda que pequenas empresas muitas vezes não incorporam tecnologias de manufatura enxuta ou ferramentas modernas por falta de recursos humanos qualificados.

Como encaminhamento, foi sugerida a articulação com a Faperj e a Firjan, com o objetivo de dar continuidade ao debate e aprofundar propostas voltadas à qualificação profissional no estado.