21/05/2026

Câmara de Desenvolvimento Sustentável foca em temas como justiça climática e resiliência territorial

A Câmara Setorial de Desenvolvimento Sustentável debateu nesta quinta (21/05) a construção de uma agenda voltada à adaptação climática justa e à resiliência territorial no estado do Rio de Janeiro. Entre as propostas está a realização de um painel e a formação de um grupo de trabalho dedicado ao tema com o intuito de produzir uma nota técnica para apresentar ao legislativo estadual.

Na reunião, os membros da Câmara ressaltaram a necessidade de iniciar os estudos com um panorama territorial, além de uma análise do arcabouço legal já existente sobre justiça climática. O subdiretor-geral do Fórum, Frederico Lima, sugeriu que a elaboração da nota técnica esteja acompanhada por um mapeamento de vulnerabilidade climática, especialmente para identificar áreas mais expostas a enchentes, deslizamentos, ondas de calor e crise hídrica.

“Talvez a gente possa imaginar um mapa de vulnerabilidade do estado do Rio, não sei se isso já existe em algum órgão. Também podemos começar esse trabalho olhando para o que já tem de legislação para ser incorporado na questão da justiça climática”, disse.

Durante o encontro, foram mencionadas iniciativas em andamento no estado que podem servir de base para o trabalho como o Plano de Gerenciamento de Risco da Região da Baía de Guanabara e o Plano de Adaptação Climática do Estado do Rio de Janeiro, além de estudos e relatórios produzidos por observatórios e centros de pesquisa, como UERJ, Fiocruz e órgãos municipais.

A Defesa Civil também foi apontada como uma fonte importante de informações e experiência prática. Participantes ressaltaram que os órgãos de proteção já dispõem de mapas de risco, protocolos de evacuação e estratégias de resposta em áreas vulneráveis, como ocorre em municípios afetados por chuvas intensas e deslizamentos, a exemplo de Petrópolis e da Região Metropolitana.

“ A Defesa Civil realmente tem o mapeamento de todas as áreas de risco principalmente do ponto de vista de alagamentos, enchentes e de encostas. Petrópolis tem 125 pontos principais de risco que são monitorados e acho que se estende a toda Região Metropolitana. Foram criados centros de apoio para pessoas que vivem em áreas de risco em casos de calamidades e todo um plano de evacuação e procedimentos’, afirmou o representante da Searj Altamirando Moraes.

Outro ponto levantado pelos participantes foi a relação entre as mudanças climáticas e a desigualdade social. Os membros reforçaram que os impactos ambientais atingem de forma mais dura comunidades periféricas e populações em situação de maior vulnerabilidade, onde o acesso à água, infraestrutura urbana e serviços públicos são mais precários. A discussão foi alinhada à perspectiva de justiça climática, entendida como eixo essencial da proposta em construção.

Seminário Ambiental

A segunda parte da reunião abordou a realização do “Seminário Ambiental – Impactos Climáticos do Rio de Janeiro”, marcado para 1º de junho, no formato híbrido. Frederico Lima apresentou a estrutura do evento com quatro temas principais: ondas de calor, crise hídrica, inundações e planejamento urbano/soluções sustentáveis e apresentou os painelistas. Entre os convidados estão pesquisadores, gestores e especialistas renomados como o professor Carlos Nobre, um dos mais importantes climatologistas do Brasil; Aluísio Canholi, engenheiro e professor da USP, especialista em drenagem urbana; do Paulo Canedo, pesquisador e professor da UFRJ, com forte experiência da área da hidrologia; além de outros profissionais.

O grupo também discutiu estratégias para ampliar a participação da sociedade civil no seminário por meio de e-mails institucionais, cartas-convite, redes sociais e materiais impressos.

Ao final do encontro, ficou definido que a próxima reunião terá um painel sobre mapeamento e vulnerabilidade climática e foi feita uma solicitação de sugestões de nomes para compor a mesa. O grupo também saiu com o compromisso de continuar alimentando o repositório de documentos, fortalecer a divulgação do seminário e avançar na construção de um produto técnico robusto, com potencial de contribuir para políticas públicas no estado do Rio de Janeiro.