28/04/2026

Câmara de Energia define prioridades para 2026 com foco em datacenters e pobreza energética

Em reunião realizada nesta quarta-feira (28/04), os membros da Câmara Setorial de Energia fizeram um balanço das pautas discutidas em 2025 e definiram prioridades e encaminhamentos para os trabalhos de 2026. Entre os temas destacados estão a retomada do debate sobre datacenters, a pobreza energética e a energia nuclear modular.

Durante a apresentação, o coordenador técnico do Fórum, André Fayão, revisitou os oito temas centrais do ano passado como a agenda regulatória do gás natural no estado - que culminou na elaboração de uma nota técnica, o biometano e biogás, o fomento à inovação com financiamento da Faperj e academia priorizando temas como eficiência energética, refrigeração e otimização do grid, além de IA aplicada aos serviços públicos. O objetivo seria reter capital humano, incentivar startups e a pesquisa e desenvolvimento a partir do ecossistema dos datacenters.

Fayão mencionou ainda o mapeamento de projetos de lei sobre energia na Alerj, os impactos do ICMS e pontos da reforma tributária no mercado de gás natural, além de iniciativas voltadas à economia circular, como o reaproveitamento de CO₂ e água. Ele frisou que muitas discussões ainda carecem de resultados concretos, como minutas, notas técnicas ou roadmaps, e defendeu que as diretrizes sejam convertidas em pautas operacionais.

O tema dos datacenters voltou ao centro das atenções. O grupo reconheceu que, embora tenham sido realizados diversos painéis em 2025, ainda falta consolidar as discussões em um documento final. Ficou definido que, na próxima reunião da Câmara, em maio, um representante do Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura da Fundação Getúlio Vargas (FGV CERI) fará uma apresentação sobre o potencial do Rio de Janeiro para a instalação de datacenters, além dos principais desafios e políticas públicas de incentivo ao setor.

A professora do CEFET-RJ, Gisele Vieira, propôs aprofundar o debate sobre pobreza energética, citando o Observatório Brasileiro de Erradicação da Pobreza Energética, que mapeia regiões do país e pode orientar iniciativas no estado do Rio de Janeiro.

“A gente usa essa ferramenta no CEFET, lançada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em maio de 2025. Ela é a principal plataforma interativa do país para monitorar indicadores de acesso, custo e qualidade de energia. Podemos trazer alguém da EPE para falar sobre como o Rio de Janeiro está nesse cenário”, sugeriu Gisele.

A energia nuclear também foi discutida. O representante do Clube de Engenharia, Neilson Candeia, defendeu que reatores modulares podem ser uma alternativa de baixa emissão e custo competitivo

“Podemos debater a produção de energia elétrica a partir da energia nuclear na matriz de transição. É uma energia limpa e competitiva em termos de custo com os reatores modulares”, afirmou Neilson, que se colocou à disposição para fazer uma apresentação sobre o tema.