Segurança, mobilidade e infraestrutura energética serão temas de debate no Fórum em 2026
A Câmara Setorial de Infraestrutura e Logística do Fórum da Alerj reuniu-se nesta terça-feira (17/03), quando foram apresentados os temas a serem debatidos em 2026. O encontro focou na modernização legislativa, nos gargalos da segurança pública e nos desafios da transição energética e da mobilidade no estado.
Um dos pontos centrais foi a retomada da minuta do Projeto de Lei que institui a Política Estadual de Aplicação Estratégica de Receitas do Petróleo em Infraestrutura. Sob a responsabilidade de Diogo Martins (especialista em Estudos Econômicos), Sérgio Vianna (FETRANSCARCA) e Luís Roberto (SEAERJ), o texto foi aberto para as contribuições finais dos membros. O objetivo é garantir que os recursos oriundos do setor de óleo e gás sejam vinculados a investimentos que potencializem a competitividade fluminense.
A Federação do Transporte de Carga (FETRANSCARCA) trouxe à mesa o debate sobre os combustíveis limpos. Sérgio Vianna sugeriu um encontro com especialistas para desmistificar a transição energética, destacando que, embora o caminhão elétrico seja eficiente em rotas urbanas curtas, o gás natural veicular (GNV) e o biodiesel são as saídas mais viáveis para longas distâncias.
“O caminhão elétrico é excelente para trajetos urbanos de até 200 km, mas precisamos discutir a realidade das viagens interestaduais. O gás natural é uma fonte limpa e uma opção real para a nossa frota”, destacou Vianna.
Segurança pública e o “custo Rio”
O roubo de cargas permanece como o principal entrave logístico do estado. O setor defende medidas severas, como a cassação do CNPJ de empresas que comercializam mercadorias roubadas.
“Hoje, o Rio de Janeiro paga, em média, 20% mais caro nos produtos vendidos aqui por conta do roubo de carga”, afirmou Sérgio.
Mobilidade, tarifas e infraestrutura precária
A mobilidade urbana e a integração metropolitana foram defendidas por Jorge Cunha e Eunice Teixeira como temas urgentes. A pesquisadora Désirée Freire (UERJ) reforçou a necessidade de analisar o impacto social das tarifas.
“A discussão sobre o preço da passagem precisa ser proporcional. É necessário avaliar o peso da tarifa em relação ao salário mínimo e ao poder de compra do trabalhador”, pontuou Désirée.
O debate também abordou a infraestrutura energética precária. Alexis Japiassu (FBHA) alertou que falhas na rede e a demora no restabelecimento do serviço, muitas vezes agravadas por furtos de cabos e falta de investimento, causam prejuízos severos.
“Empresas e restaurantes estão perdendo seus estoques de produtos porque a energia demora a ser reativada após as quedas.”
O grupo sugeriu, como próximos passos, convidar o deputado Márcio Gualberto, presidente da Comissão de Segurança da Alerj, para uma reunião sobre o tema e, após essa articulação técnica e a preparação das propostas, realizar um painel consolidando os temas de mobilidade, segurança e infraestrutura energética.